terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Era para ser sobre o Natal, mas eu não consegui Let it Go...

Este texto era para ser sobre o Natal. Sobre como a vida inteira eu torci para que a data passasse bem rápido e que logo chegasse o carnaval, mas também como depois da Dora eu continuei torcendo pro Carnaval chegar logo passei a refletir sobre essa época do ano e como ela influencia o meu comportamento no resto do ano. Mas não, este texto será sobre "As Princesas", "Peppa Pig" e cia.



Oi?



Explico: hoje eu descobri que minha filha de 20 meses sabe quem é a Anna do Frozen(apesar de chamar as duas irmãs pelo mesmo nome) e, mais chocante ainda, eu presenciei minha cria se sacudindo dançando e cantando lérigou lérigou. 1 ano e 8 meses, gente.



É conhecida a lei do cuspe na cara que rege a maternidade: tudo aquilo que você condena e diz que nunca faria antes de ter filhos, será feito quando sua hora chegar. É o famoso cuspir pra cima... Toda mãe já cuspiu e já tomou seu cuspe na cara. Estes são relatos reais de mães que cuspiram pra cima...

Pois então, a maior cusparada que tomei até agora - e sei que serão muitas ainda, cada vez maiores - foi d"As Princesas". Há umas semanas atrás, Dora apontou no copo de uma amiga e exclamou “pixesa!”. Respirei fundo. Essa coisa de personagem mexe comigo. Fosse pra escolher uma “luta da maternidade” eu diria que luto contra os personagens e seus produtos licenciados dentro da minha casa.



Mas eu juro que a minha luta não é pessoal contra "As Princesas", tampouco pretendo maldizer a "Galinha Pintadinha" ou ter algo contra a "Peppa Pig". [pausa para a opinião pessoal: as princesas são chatas, a Peppa é mala sem alça e Galinha Pintadinha uma farsante que plagiou tudo quanto é cantiga popular da vida...] A minha saga contra os personagens surge a partir do momento que, em nossa sociedade demasiadamente consumista e materialista, Ariel e companhia não são apenas personagens que participam um momento de entretenimento entre tantos outros da vida da criança, sem algum cuidado ou orientação para reflexão, elas se tornam referências na vida da criança! A menina não quer assistir o filme tosco da Moranguinho no Jardim Encantado, ela quer ser a Moranguinho. E para isso ela só vai querer a mochila/camisola/caneca/sandália/etc da marca. Sim, é uma marca. Todas essas personagens são. E nem vou entrar aqui na discussão de como essas figuras geralmente reafirmam estereótipos sexistas.

Por enquanto, continuaremos não consumindo esse tipo de produto dentro de casa - o que em si, já configura uma batalha diária, dado que a grande maioria dos produtos direcionados a crianças estampam nele a cara de algum super-herói (se o presente for pra um menino) ou uma princesa (se você quer algo de menina). Enquanto der, eu evito. E, pros que não estão afim da discussão mais profunda sobre educação, digo apenas que, além de tudo, acho muito sem graça ter tudo com a mesma cara/estampa/cor. O mundo é rico e interessante demais pra perder a vida dormindo em roupa de cama da Cinderela.




E me lembrem de voltar pra falar sobre como eu odeio rosa/lilás.

3 comentários:

  1. odeio rosa, lilás, glitter, princesas, fadinhas, e... ainmeodeos!

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    1. ó aí ó... tá cuspindo pra cima... :p

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  2. Detesto rosa, mas amo lilás (roxo e violeta)! Passei meus 12 e 13 anos só usando essas cores (é que li uma vez que roxo era a cor do imperador romano e aí cismei com isso...) Mas voltando ao principal do texto: também tenho uma leve aversão a comercialização da infância. E apesar de ser Disneymaníaca de carteirinha, acho que tb surtaria se visse minha filha de 20 meses cantando Let it Go. Tudo tem seu tempo (e é sempre bom lembrar que o mundo infantil não é dividido entre princesas e Star Wars, por mais que marketing e mídia tentem convencer as crianças).

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