terça-feira, 3 de março de 2015

sobre o desmame natural... o meu.

Desfralde rápido. Bebê que dorme a noite toda. Criança que come bem e de tudo. Dentre as inúmeras situações ideais da maternidade está o desmame lento e gradual. Daqueles que a mãe diz orgulhosa que ‘fulaninho largou o peito sozinho... um dia não quis mais’. Mal aê, mas eu não acredito em você Amamentar é uma delícia e - tirando aqueles primeiros dias horrorosos, que nada se parecem com a Claudia Leite na foto do cartaz campanha de amamentação no posto de saúde – eu nunca tive maiores problemas. Dei sorte, eu sei. Muitas passam meses tentando, insistindo, algumas conseguem outras não. O mercado de leite em pó, mamadeiras e chupetas também não ajuda, sob o discurso de que ‘tudo bem, se você não conseguir nós oferecemos o que há de melhor pro seu bebê’ ele covardemente mina a autoconfiança das mulheres na sua capacidade de amamentar. Dora foi amamentada exclusivamente com leite materno e em livre demanda até os seis meses (Chupa mercado!) Mas eu queria mais. Eu queria poder dizer ‘minha filha mamou no peito até a hora que ela quis, aos poucos não foi querendo mais e um dia parou...’

tudo lindo na amamentação. #sqn

Logo no início entendi que, depois do esforço inicial de adaptação de ambos – fica a dica: bebê não nasce sabendo mamar! - a amamentação tem que ser boa para duas partes. É simbiose, se um lado não sente que tá ganhando com aquilo, dá ruim. No começo, além do sentimento maravilhoso ao ver sua cria engordando e crescendo só com o teu leite, amamentar dá onda. Juro. Melhor coisa era a sensação de relaxamento quando o leite descia, apagávamos inebriadas ela e eu. Mais tarde, quando ela já comia, eu ainda me deliciava com as brincadeiras dela enquanto mamava. Não há descrição fiel da sensação de acalmar um filhote com seu seio. O olho no olho. Tudo uma delícia. Amei amamentar!

Curti muito, tudo. Nunca lamentei acordar a noite pra dar o peito a ela. Até porque, durante algum tempo eu já nem acordava mais. Dormindo comigo ela vinha, se servia, e voltava a dormir. Nunca soube responder a famosa pergunta ‘quantas vezes ela acorda pra mamar a noite?’ Sei lá. Parei de contar na segunda semana de vida dela. Além de me orgulhar, é claro, dos olhares escandalizados quando eu sacava o peito no meio do metrô pra amamentar a menina de mais de um ano e meio. ‘Mas ela ainda mama!?’ ‘Mama sim!’

Tão ocupada levantando a bandeira da amamentação-exclusiva-prolongada-em-qualquer-canto-da-cidade e sambando na cara da sociedade-pró-mamadeira-com-farinha-Láctea-pro-bebê-dormir-a-noite-toda, eu demorei pra perceber que amamentar não tava mais legal pra mim. Não, não tô falando dela. Tô falando de mim. É, da mãe, a dona do peito. Pois é... Primeiro eram os seios doloridos e cheios de leite nos finais de semana que a cria ia pra casa do pai – que adianta você ter o fim de semana para você, se parte dele você passa ordenhando ou regulando a ingestão de líquidos para o peito não encher? Depois começou a me incomodar a forma como ela vinha pro peito não importasse se eu quisesse dar o peito ou não, puxando roupa, me deixando nua onde quer que fosse. Criatura ariana: quando ela quer, ela quer. E, por fim, aos quase dois anos da filha a amamentação começou a atrapalhar o meu sono. Irônico, né?

Foi difícil aceitar que estava ruim para mim. Mais ainda tomar a decisão de que ela pararia de mamar no peito. Muita conversa com ela. E vi que só conversa não surtiria efeito – ariana, lembra? Decidi que eu desmamaria minha filha sem ela querer. Mas por que eu havia chegado ao meu limite, e todo aquele trabalho inicial de entender que a coisa tinha que ser boa pras duas? Tão complexo se enxergar como parte ativa deste conjunto, tão custoso me dar direito a voto nessa decisão. Mas decidi. Também não foi num momento plácido, após muita reflexão e conversa. Foi num momento em que eu vi que não aguentava mais. Falei que não dava mais e ponto.


O desmame natural, lento e gradual aconteceu aqui? Sim. Mas foi o meu, que chegou aos poucos, sem que eu percebesse. Tendo aceito este. Por aqui estamos, há uma semana, no processo de desmame da cria. 

5 comentários:

  1. Ana eu adorei ler esse post. Acho super normal chegarmos num ponto onde algo nao está mais legal pra gente e como maternidade é sempre encontrar um caminho bom pros envolvidos, achei sua decisao super certa. Lionel ainda tem 5 meses, só mama e ainda to na fase do encantamento total. Amo, acho lindo ver ele mamar. Mas ao mesmo tempo sei o que pode me chatear no futuro. Desde que ele nasceu eu vou pra cama às 21:30h. Eu dou de mamar, ele cai no sono, mas me procura a cada 30 minutos e quer ficar sugando, pra se acalentar, pra me ter por perto. Por enquanto ainda acho lindo ele precisar tao intensamente de mim, mas me pergunto se já deveria tomar uma providencia pra nao sofrermos mais no futuro. Porque também adoraria ter 1h que seja pra ver uma série com meu marido ou descansar no sofá da sala sem o bebe do lado.

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    1. é um exercício constante de aprendizagem, né? Lionel (que nome liiindo!) ainda é muito pequenino, tá no momento de ficar grudado mesmo... aliás, acredito muito que quanto mais colo/peito/aconchego a gente der nesse início, mais seguro eles ficam nas horas em que esses momentos de 'rompimento' ou 'fim de ciclo' chegam... aproveite muito! e assiste filme com a cria no peito... rs

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  2. eu cheguei no meu limite ano passado, por conta de outros motivos que extrapolam a minha relação com Biel, mas acabamos nos acertando depois de um periodo turbulento e estava nessa vibe, mas acho que as minhas duas semanas viajando colaboraram para um desmame natural e gradual. ainda nao escrevi sobre isso pq quero ver como funciona... mas biel tem dormido a noite toda, tenho até medo de falar rs
    beijos

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    1. mas ele parou total, Ju? pq aqui parou de vez, mas o sono ainda está oscilando - ou dorme muito bem a noite toda ou passa a noite muito agitada.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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