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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

creche pública.


como muitos outros aspectos da maternidade, o tema 'escola pra cria' foi pensado enquanto acontecia e não necessariamente de forma planejada. tivemos uma experiência muito bacana na primeira creche que nos acolheu, que teve papel importantíssimo na transição bebê-em-casa-bebê-na-creche, um lugar que até hoje recomendo a quem me procura pra saber como foi quando ela começou na creche aos 11 meses.


infelizmente a mensalidade de uma creche particular não cabe no bolso de todas as famílias. a verdade é que pagar creche é realidade possível para bem poucos pais e mães, com a gente não foi diferente. busquei na creche pública uma alternativa possível para nossa realidade financeira e a acabei com um envolvimento muito maior com a causa do que eu poderia esperar.



essa foto aí mostra muito pouco do que a creche representa pra mim. além do óbvio - bastante espaço verde pras crianças correrem -, esse cantinho no meio da zona sul do Rio de Janeiro conta com uma estrutura super bacana, equipe maravilhosa, apaixonada pelo trabalho que faz e que se coloca sempre muito aberta e disposta a construir a escola junto com as famílias, junto com as crianças.

precisamos desconstruir preconceitos tolos envolvendo a qualidade de serviços públicos e particulares. essa escola não deixa a desejar em absolutamente nada quando comparada a instituições particulares que visitei, muito pelo contrário... 

sei que não são todas as creches públicas que são boas assim, mas acredito muito que todas podem ser boas assim. por isso ter minha filha no ensino público vai muito além da economia em mensalidade, é um ato político. um ato político de ocupação de um espaço que é de todos nós e deve ser construído e cuidado por todos nós. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

do marketing ativo da creche particular.

há pouco mais de um ano, passei por uma saga em busca de creche pra cria. deixei o nome dela em inúmeras filas de espera até encontrar a que nos recebeu de braços abertos com muito carinho e onde Dora ficou por um maravilhoso ano. até optarmos por tentar uma vaga na rede pública. durante esse ano recebi resposta de algumas dessas listas de espera. todas gentilmente recusadas, com uma breve e também educada justificativa. nada de mais. até hoje de manhã. quando recebo no meu celular uma ligação de uma funcionária - que aqui chamaremos de Fulana - representando uma creche - que aqui chamaremos de creche X-particular-com-fila-de-espera-kilométrica. segue o diálogo:

- alôu bom dia, aqui é a Fulana, da creche X-particular-com-fila-de-espera-kilométrica. estou ligando para lhe avisar que surgiu uma vaga para sua filha. para fazer a matrícula precisamos da certidão de nascimento, identidade do responsável, comprovante de... - começa a me dar as informações sem que eu confirme interesse. interrompo.

- ah Fulana, muito obrigada, mas eu consegui vaga na ótima creche Y-pública, e minha filha já está no processo de adaptação.

- nossa, que sorte! mas você já conhece nosso serviço diferenciado? faremos um processo de adaptação muito mais personalizado com sua princesa.
- obrigada, Fulana. estou muito satisfeita com a creche Y-pública. o serviço deles é excelente, minha filha está feliz lá. não temos interesse. e obrigada por pagar seus impostos e contribuir, você também, com a educação da minha filha. bom dia.

nada contra o funcionário vestir a camisa da empresa - e, Fulana, se você está lendo isso, PARABÉNS! ligo lá logo mais pra te indicar a funcionária do mês -, mas me soou prepotente o "faremos um processo de adaptação MUITO MAIS personalizado com sua princesa". será que ela teria o mesmo discurso se no lugar de creche Y-pública eu tivesse dito creche W-particular-com-fila-de-espera-kilométrica?


fora o "sua princesa", que me dá arrepios. mas aí é só chatice minha mesmo. :p